A história por trás de um dos pratos mais icônicos da Itália e aprenda a dominar a técnica que transforma simples grãos de arroz em uma iguaria cremosa e sofisticada.
27/02/2026
Gostou da publicação? Compartilhe e de uma força para o Leveza!
Cremoso, reconfortante e versátil, o risoto é uma daquelas receitas que transformam uma refeição em uma celebração. O prato, que hoje brilha em mesas ao redor do mundo, carrega em sua essência uma combinação fascinante de técnica, história e até mesmo um toque de acaso. Sua textura aveludada, que envolve o paladar a cada garfada, não é fruto de mágica, mas de um processo cuidadoso que transforma simples grãos de arroz em uma iguaria sofisticada.
Embora o arroz tenha sido introduzido na Europa pelos mouros por volta do século XII, sua jornada até se tornar o protagonista do risoto na Itália começou séculos depois. Foi no norte do país, especialmente na fértil região da Lombardia, que o cultivo do grão encontrou um ambiente ideal para prosperar. A partir do século XV, o arroz passou a fazer parte da dieta local, mas foi apenas mais tarde que a técnica que conhecemos hoje começou a tomar forma.

A magia do risoto reside na liberação gradual do amido contido nos grãos. Variedades como o Arbório, o Carnaroli e o Vialone Nano são ricas em amilopectina, um tipo de amido que se dissolve lentamente quando submetido a um processo de fricção e hidratação. Ao mexer o arroz continuamente enquanto se adiciona caldo quente aos poucos, os grãos liberam essa substância, criando um molho cremoso e encorpado que é a alma do prato. É uma dança delicada entre calor, movimento e paciência, onde cada etapa contribui para o resultado final.
O processo começa com o sofrito, um refogado de cebola em manteiga ou azeite, que serve de base aromática. Em seguida, o arroz é tostado (tostatura) para selar a parte externa dos grãos, garantindo que mantenham sua estrutura e não se desmanchem durante o cozimento. A adição de vinho branco não apenas acrescenta uma camada de sabor e acidez, mas também ajuda a iniciar a liberação do amido. A partir daí, o caldo é incorporado concha a concha, em um ritual que exige atenção e dedicação. Por fim, a mantecatura — a finalização com manteiga e queijo Parmesão ou Grana Padano — eleva a cremosidade a outro nível, conferindo ao prato um brilho e uma untuosidade inconfundíveis.
Dominar a arte do risoto é entender que a pressa é inimiga da perfeição. Mais do que uma receita, é uma experiência que nutre o corpo e a alma.

Uma receita que equilibra a acidez vibrante do limão com o perfume do alecrim, resultando em um prato leve e sofisticado — perfeito para celebrar a chegada do fim de semana.
| Ingrediente | Quantidade |
| Arroz para risoto (Arbório ou Carnaroli) | 320g |
| Cebola pequena picada | 1 unidade |
| Alho picado | 2 dentes |
| Caldo de legumes quente | 1,2 litro |
| Vinho branco seco | 100ml |
| Limão siciliano (raspas e suco) | 1 unidade |
| Alecrim fresco | 1 ramo |
| Queijo Parmesão ralado | 80g |
| Manteiga sem sal | 2 colheres de sopa |
| Azeite de oliva extra virgem | a gosto |
| Sal e pimenta do reino | a gosto |
1. Em uma panela, aqueça o caldo de legumes e mantenha-o em fogo baixo. Adicione o ramo de alecrim para infusionar e perfumar o líquido.
2. Em outra panela de fundo grosso, aqueça um fio de azeite e uma colher de sopa de manteiga. Refogue a cebola até ficar translúcida e, em seguida, adicione o alho, cozinhando por mais um minuto.
3. Acrescente o arroz e toste os grãos por cerca de dois minutos, mexendo sempre, até que fiquem levemente opacos.
4. Despeje o vinho branco e mexa até que evapore por completo.
5. Adicione as raspas de limão e comece a incorporar o caldo quente, uma concha de cada vez, esperando que o líquido seja quase todo absorvido antes de adicionar a próxima. Continue mexendo constantemente.
6. Após cerca de 15 a 18 minutos, quando o arroz estiver al dente — cozido, mas ainda com uma leve resistência no centro —, retire o ramo de alecrim do caldo e adicione o suco de limão ao risoto.
7. Desligue o fogo. Adicione o restante da manteiga e o queijo Parmesão ralado. Misture vigorosamente para criar a cremosidade final (mantecatura).
8. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Sirva imediatamente, decorado com algumas raspas de limão e um pequeno ramo de alecrim fresco.

A história mais famosa sobre a origem do risoto nos leva a Milão, em 1574, durante a construção da majestosa Catedral. A lenda gira em torno de um mestre vidraceiro flamengo, Valerius de Flandres, e seu jovem aprendiz, apelidado de “Zafferano” — açafrão, em italiano — por sua obsessão em usar o pigmento para criar tons de amarelo vibrante nos vitrais da obra.
Cansados da mania do rapaz, que adicionava açafrão a praticamente tudo, seus colegas decidiram pregar-lhe uma peça durante a festa de casamento da filha de Valerius. Eles adicionaram uma grande quantidade do precioso pó dourado ao risoto que seria servido no banquete. O que começou como uma zombaria, no entanto, transformou-se em um sucesso estrondoso: os convidados ficaram maravilhados com a cor vibrante e o sabor exótico do prato, que foi batizado de Risotto alla Milanese.
Embora não existam provas documentais que confirmem a veracidade da história, ela captura perfeitamente a essência da culinária italiana: a capacidade de transformar um ingrediente simples — e até mesmo um acidente — em uma obra-prima gastronômica que atravessa séculos.