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O eixo intestino-cérebro: como a saúde do seu intestino afeta seu humor e suas emoções

Descubra a ciência por trás da comunicação entre seu sistema digestivo e seu cérebro e como as escolhas alimentares podem transformar seu bem-estar diário.

11/02/2026

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Cuidar da saúde do seu intestino é uma das estratégias mais poderosas para cultivar o bem-estar mental e emocional. Embora a alimentação não seja uma cura para transtornos mentais graves, que exigem acompanhamento profissional, ela é uma ferramenta valiosa e acessível para modular o seu humor e aumentar sua resiliência ao estresse. Comece com pequenas mudanças. Introduza mais alimentos ricos em fibras na sua dieta, experimente alimentos fermentados e reduza o consumo de produtos ultraprocessados. Ao nutrir seu jardim interno, você estará, ao mesmo tempo, cultivando uma mente mais calma, equilibrada e resiliente. A saúde integral, afinal, começa de dentro para fora.

Você já teve um “sentimento visceral” ou sentiu “borboletas no estômago”? Essas expressões comuns são mais do que simples metáforas. Elas refletem uma conexão profunda e complexa entre o seu intestino e o seu cérebro, uma via de comunicação bidirecional conhecida pela ciência como o eixo intestino-cérebro. Esta rede de comunicação não apenas gerencia a digestão, mas também exerce uma influência surpreendente sobre o seu humor, suas emoções e sua saúde mental.

Nas últimas décadas, a ciência tem desvendado como o ecossistema de trilhões de microrganismos que habitam nosso trato gastrointestinal, conhecido como microbiota intestinal, desempenha um papel central nessa conversa. O que acontece no seu intestino não fica apenas no intestino; na verdade, pode ser um fator determinante para o seu bem-estar emocional.

A comunicação secreta entre intestino e cérebro

A conexão entre o cérebro e o intestino é uma via de mão dupla, envolvendo uma complexa rede de comunicação que inclui o sistema nervoso, hormônios e o sistema imunológico. O nervo vago, um dos maiores nervos que conectam o cérebro ao corpo, atua como uma superestrada de informação, transmitindo sinais em ambas as direções [1].

No centro dessa comunicação está a microbiota intestinal. Esses microrganismos ajudam a digerir os alimentos, treinam nosso sistema imunológico e, crucialmente, produzem uma vasta gama de compostos neuroativos. Surpreendentemente, cerca de 95% da serotonina total do corpo, um neurotransmissor fundamental para a regulação do humor, é produzida no intestino [1].

Quando a microbiota intestinal está em equilíbrio, ela produz metabólitos benéficos, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). Essas moléculas, geradas a partir da fermentação de fibras dietéticas, não só nutrem as células do cólon, mas também podem atravessar a barreira hematoencefálica, influenciando diretamente a função cerebral e o comportamento [1].

Disbiose: quando a comunicação falha

O desequilíbrio na comunidade de microrganismos intestinais, conhecido como disbiose, pode interromper essa comunicação harmoniosa. Fatores como uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, estresse crônico e o uso de certos medicamentos podem perturbar o delicado ecossistema do seu intestino.

Estudos científicos associam a disbiose a uma variedade de condições de saúde mental. Pesquisas mostram que pessoas com depressão e transtornos de ansiedade frequentemente apresentam alterações na composição de sua microbiota intestinal em comparação com indivíduos saudáveis [1]. Além disso, a inflamação intestinal de baixo grau, muitas vezes causada pela disbiose, tem sido associada ao desenvolvimento de sintomas depressivos.

Um estudo publicado na Integrative Medicine: A Clinician’s Journal destaca que a disbiose pode levar ao aumento da permeabilidade intestinal, permitindo que substâncias inflamatórias, como o lipopolissacarídeo (LPS), entrem na corrente sanguínea e afetem o cérebro, contribuindo para a neuroinflamação e alterações de humor [1].

A psiquiatria nutricional: alimentando um cérebro feliz

A crescente compreensão do eixo intestino-cérebro deu origem a um campo emergente e promissor: a psiquiatria nutricional. Essa abordagem reconhece a dieta como um fator fundamental na promoção da saúde mental.

“A conexão intestino-cérebro nos oferece uma maior compreensão da ligação entre dieta e doenças, incluindo depressão e ansiedade”, afirma a Dra. Uma Naidoo, psiquiatra nutricional da Harvard Medical School [2].

O que você come alimenta diretamente sua microbiota. Uma dieta rica em alimentos integrais, fibras, frutas e vegetais coloridos promove um ambiente intestinal diversificado e saudável. Por outro lado, uma dieta ocidental típica, rica em alimentos processados, açúcares e gorduras saturadas, pode favorecer o crescimento de bactérias inflamatórias.

Grupo de AlimentosEfeito na MicrobiotaAlimentos Recomendados
ProbióticosIntroduzem bactérias benéficasIogurte natural (sem açúcar), kefir, kimchi, chucrute
PrebióticosAlimentam as bactérias benéficas existentesAlho, cebola, aspargos, bananas, aveia, leguminosas
PolifenóisAumentam as bactérias benéficas e inibem as patogênicasFrutas vermelhas, chá verde, chocolate amargo, azeite de oliva
FibrasEssenciais para a produção de AGCCGrãos integrais, nozes, sementes, vegetais crucíferos

Um caminho para o bem-estar integral

Cuidar da saúde do seu intestino é uma das estratégias mais poderosas para cultivar o bem-estar mental e emocional. Embora a alimentação não seja uma cura para transtornos mentais graves, que exigem acompanhamento profissional, ela é uma ferramenta valiosa e acessível para modular o seu humor e aumentar sua resiliência ao estresse.

Comece com pequenas mudanças. Introduza mais alimentos ricos em fibras na sua dieta, experimente alimentos fermentados e reduza o consumo de produtos ultraprocessados. Ao nutrir seu jardim interno, você estará, ao mesmo tempo, cultivando uma mente mais calma, equilibrada e resiliente. A saúde integral, afinal, começa de dentro para fora.

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[1]: Appleton, J. (2018). The Gut-Brain Axis: Influence of Microbiota on Mood and Mental Health. Integrative Medicine: A Clinician's Journal, 17(4), 28–32. [2]: Naidoo, U. (2018 ). Gut feelings: How food affects your mood. Harvard Health Blog.