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Comida que abraça: o poder dos alimentos no controle da ansiedade

Descubra como pratos saborosos e nutritivos podem ser aliados da sua saúde mental, promovendo equilíbrio e bem-estar no dia a dia.

14/11/2025

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A alimentação desempenha um papel crucial no manejo da ansiedade, atuando diretamente no eixo intestino-cérebro. Nutrientes como triptofano, magnésio, ômega-3 e vitaminas do complexo B são essenciais para a produção de neurotransmissores que regulam o humor, como a serotonina. A inclusão de alimentos como peixes, ovos, castanhas, abacate, folhas verdes e iogurtes com probióticos fortalece a saúde mental. Pratos como salmão com maracujá ou saladas com leguminosas e nozes transformam a teoria em prática, unindo sabor, prazer e bem-estar. Cuidar do que comemos é uma poderosa forma de autocuidado para uma vida mais equilibrada.

Em nossa busca por uma vida mais equilibrada e serena, muitas vezes subestimamos o poder do que colocamos no prato. A relação entre alimentação e saúde mental, antes vista com ceticismo, hoje é um campo consolidado pela ciência, que demonstra como certos nutrientes podem influenciar diretamente nosso humor e nossa capacidade de lidar com o estresse. Para a seção “Vida com Sabor”, exploramos como a comida pode ser uma forma de autocuidado, um verdadeiro abraço para a alma, especialmente no manejo da ansiedade.

A ansiedade, um estado que afeta milhões de pessoas, não se manifesta apenas na mente. O corpo todo sente seus efeitos, e o sistema digestivo está intimamente ligado a esse processo através do eixo intestino-cérebro. Como explica Luiz Fernando Ferraz da Silva, professor da Faculdade de Medicina da USP, em artigo publicado no Jornal da USP, o desequilíbrio da nossa microbiota intestinal pode alterar a comunicação com o cérebro, intensificando estados de ansiedade. Bactérias intestinais benéficas são essenciais para produzir neurotransmissores como a serotonina, conhecida como o “hormônio da felicidade”. Portanto, cuidar do intestino é o primeiro passo para uma mente mais calma.

Nutrientes: os tijolos do bem-estar

Para construir uma dieta que promova a tranquilidade, é preciso focar em nutrientes específicos que atuam como matéria-prima para o equilíbrio químico do cérebro. Uma revisão de estudos publicada no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences destaca que deficiências em vitaminas do complexo B, vitamina D, magnésio e ômega-3 estão frequentemente associadas a transtornos de depressão e ansiedade.

O triptofano é um aminoácido essencial que nosso corpo utiliza para produzir a serotonina. Alimentos como ovos, castanhas, banana e peixes são excelentes fontes. A banana, além do triptofano, oferece vitamina B6, que, segundo um artigo da BBC Good Food, é crucial para converter o triptofano em serotonina.

O magnésio atua como um relaxante natural para o sistema nervoso, modulando a resposta ao estresse. Fontes ricas incluem vegetais de folhas escuras, sementes de abóbora, abacate, chocolate amargo com mais de 60% de cacau e leguminosas. O endocrinologista Renato Zilli, em conteúdo para o Hospital Sírio-Libanês, reforça que o consumo regular desses alimentos ajuda a manter os níveis de estresse sob controle.

O ômega-3, gordura saudável encontrada em peixes de água fria, sementes de chia e linhaça, é outro pilar da alimentação anti-ansiedade. Suas propriedades anti-inflamatórias beneficiam o cérebro, melhorando a comunicação entre neurônios e auxiliando na regulação do humor.

As vitaminas do complexo B são fundamentais para modular a química cerebral que regula o humor. Presentes em farelo de aveia, ovos e vegetais de folhas escuras, elas favorecem o funcionamento intestinal e a síntese de serotonina.

Montando pratos com sabor e calma

Transformar essa teoria em pratos deliciosos é a parte mais prazerosa. A ideia não é seguir uma dieta restritiva, mas sim fazer escolhas conscientes que nutrem o corpo e a mente, resgatando o prazer de comer bem.

Para um almoço que conforta, que tal um filé de salmão grelhado ao molho de maracujá? O salmão fornece o ômega-3 e o triptofano, enquanto o maracujá, conhecido por suas propriedades sedativas naturais graças à passiflora, adiciona um toque de tranquilidade. Acompanhado de um purê de batata-doce, rica em vitaminas do complexo B, e uma salada de folhas verdes escuras com sementes de abóbora, temos um prato completo e funcional.

Outra opção é uma salada morna de lentilhas com abacate e nozes. As lentilhas e as nozes são fontes de magnésio e triptofano. O abacate contém beta-sitosterol, uma substância que, conforme explicado pela nutricionista Roseli Rossi em material do Sírio-Libanês, ajuda a regular os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Tempere com azeite de oliva extra virgem, limão e ervas frescas para uma explosão de sabor e nutrientes.

Para os lanches, um iogurte natural com frutas vermelhas e castanhas é uma excelente pedida. O iogurte, especialmente os que contêm probióticos, ajuda a manter a saúde da microbiota intestinal, fortalecendo o eixo intestino-cérebro. As frutas vermelhas são ricas em antioxidantes e vitamina C, que combatem o estresse oxidativo associado à ansiedade.

Não podemos esquecer das frutas cítricas, como laranja, morango e kiwi. Ricas em ácido fólico, potássio e vitamina C, elas atuam sobre o sistema nervoso, combatendo o estresse e o cansaço, além de ajudar a diminuir a irritabilidade.

O prazer de comer bem

Adotar uma alimentação focada no bem-estar mental não se trata de buscar uma cura milagrosa, mas de integrar um pilar fundamental ao autocuidado. É um convite para redescobrir a comida como uma fonte de nutrição, prazer e equilíbrio, transformando cada refeição em um ato de carinho consigo mesmo. A comida afetiva saudável é aquela que nos conecta com nossos sentidos e nos proporciona momentos de calma e satisfação.

Lembre-se de que mudanças alimentares devem ser feitas de forma gradual e, preferencialmente, com orientação profissional. Cada pessoa tem necessidades individuais, e o equilíbrio é sempre a chave. Que tal começar hoje a incluir mais desses alimentos no seu dia a dia e sentir a diferença que eles podem fazer?

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1. HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Alimentos calmantes controlam a ansiedade, mas é preciso consumir sempre. 2. SILVA, V. F. B. da, et al. Nutrição e Saúde Mental: O Papel da Alimentação nos Transtornos Depressivos e de Ansiedade - Uma Revisão de Literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024. 3. RAVE, T. Top 20 healthy, mood-boosting recipes. BBC Good Food, 23 maio 2023. 4. SILVA, L. F. F. da. Desequilíbrio na microbiota intestinal pode aumentar estados depressivos e de ansiedade. Jornal da USP, 21 set. 2021.