Aprenda a reconhecer os sinais da autossabotagem e a cultivar a autoconfiança para abraçar suas conquistas sem culpa.
11/12/2025
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Você já esteve em uma situação onde, apesar de todo o seu esforço e sucesso, uma voz interna insiste em dizer que você não é bom o suficiente? Que a qualquer momento, alguém vai descobrir que você é uma fraude? Se esses sentimentos são familiares, saiba que você não está sozinho. Esse fenômeno psicológico tem nome: síndrome do impostor.
A síndrome do impostor é um padrão de pensamento no qual um indivíduo duvida persistentemente de suas realizações e experimenta um medo constante de ser exposto como uma fraude, apesar de evidências objetivas de competência e sucesso 1. Não se trata de um transtorno mental formal diagnosticável, mas de uma experiência psicológica comum que afeta muitas pessoas, especialmente aquelas com alto desempenho em suas áreas de atuação. Pesquisas indicam que aproximadamente 70% dos adultos podem vivenciar esse sentimento em algum momento da vida 2.
O que torna a síndrome do impostor particularmente insidiosa é que ela frequentemente acompanha o sucesso. Pessoas que são objetivamente bem-sucedidas, com diplomas acadêmicos, cargos de destaque e reconhecimento externo, são justamente as que mais lutam contra essa autossabotagem. Em vez de internalizar suas conquistas como resultado de sua competência, esforço e capacidade, elas as atribuem à sorte, ao acaso, ao timing favorável ou a um esforço sobre-humano que acreditam não conseguir repetir.

Identificar a síndrome do impostor é o primeiro passo para lidar com ela de forma efetiva. Esse padrão de pensamento se manifesta de várias formas, muitas vezes interligadas e reforçando-se mutuamente:
O ciclo do impostor: Diante de uma nova tarefa ou desafio, a pessoa reage com ansiedade e dúvida sobre sua capacidade. Para lidar com essa insegurança, ela pode se preparar em excesso, dedicando horas extras e revisando o trabalho repetidamente, ou pode procrastinar, adiando o início por medo. Ao concluir a tarefa com sucesso, há um breve alívio e sensação de realização, mas o sentimento de conquista não é internalizado adequadamente. A pessoa acredita que o sucesso se deu apenas pelo esforço excessivo ou pela sorte de não ter sido “descoberta”, alimentando o ciclo de insegurança para o próximo desafio 1.
Perfeccionismo desadaptativo: A necessidade compulsiva de ser o melhor e o medo de cometer erros são traços comuns. As metas estabelecidas são tão altas que se tornam praticamente inatingíveis, e qualquer falha, por menor que seja, é interpretada como prova definitiva de incapacidade. Esse perfeccionismo consome energia mental e emocional, prejudicando o bem-estar geral.
Medo do sucesso (Achievemephobia): O sucesso pode ser assustador para quem vivencia a síndrome do impostor, pois vem acompanhado de maiores expectativas e da pressão de manter o desempenho em níveis elevados. Esse medo pode levar a uma autossabotagem inconsciente para evitar novas responsabilidades ou visibilidade.
Negação da própria competência: Há uma tendência persistente a minimizar as próprias habilidades, inteligência e talentos naturais. Elogios são recebidos com desconfiança, como se a pessoa não fosse merecedora. O sucesso é frequentemente atribuído a fatores externos, enquanto o fracasso é internalizado como reflexo de incapacidade pessoal.

Superar a síndrome do impostor é um processo gradual de mudança de mentalidade e de construção de uma relação mais compassiva e realista consigo mesmo. Aqui estão estratégias práticas e fundamentadas que você pode começar a implementar:
Reconheça e acolha seus sentimentos: O primeiro passo é admitir para si mesmo que esses sentimentos existem, sem julgamento. Entender que a síndrome do impostor é uma experiência comum entre pessoas de alto desempenho pode aliviar significativamente a sensação de isolamento. Lembre-se de que sentir-se assim não diminui suas conquistas reais nem sua competência.
Concentre-se nos fatos, não nos sentimentos: Faça um inventário detalhado de suas realizações. Escreva suas conquistas profissionais e pessoais, os elogios que recebeu, os desafios que superou e as habilidades que desenvolveu. Ter um registro concreto e tangível de suas competências ajuda a combater a narrativa distorcida que sua voz interior cria. Criar uma “árvore das conquistas”, como sugere a psicóloga Mar Martínez Ricart, pode ser uma ferramenta poderosa para se reconectar com seu valor quando a dúvida bater à porta 3.
Celebre suas conquistas, por menores que pareçam: Permita-se genuinamente sentir a satisfação de um trabalho bem-feito. Em vez de pular imediatamente para o próximo desafio, reserve um momento consciente para comemorar suas vitórias. Isso pode ser algo simples, como reconhecer internamente o esforço que você dedicou, compartilhar a notícia com alguém de confiança ou fazer algo que o traga alegria. Celebrar ajuda a internalizar o sucesso e a associá-lo ao seu esforço, dedicação e competência.
Ajuste suas expectativas para níveis realistas: O perfeccionismo é um dos principais motores da síndrome do impostor. Em vez de buscar a perfeição, que é inatingível, busque o progresso e a melhoria contínua. Entenda que cometer erros faz parte natural do processo de aprendizagem e crescimento profissional. Defina metas desafiadoras, mas realistas, e celebre os pequenos passos na direção certa.
Compartilhe o que você sente com pessoas de confiança: Conversar com amigos, familiares ou um mentor sobre seus sentimentos de inadequação pode ser profundamente libertador. Muitas vezes, você descobrirá que outras pessoas, inclusive aquelas que você admira e considera bem-sucedidas, também enfrentam ou já enfrentaram a síndrome do impostor. Essa conexão humana reduz o isolamento. Se os sentimentos forem persistentes e estiverem afetando significativamente sua qualidade de vida, sua saúde mental ou seu desempenho profissional, buscar a ajuda de um psicólogo ou terapeuta pode ser fundamental e transformador.

Lidar com a síndrome do impostor não é sobre eliminar completamente a dúvida ou a autocrítica, mas sobre aprender a não deixar que elas o paralisem ou o impeçam de avançar. É um convite para praticar a autocompaixão, reconhecer genuinamente seu valor e abraçar suas conquistas com a certeza de que você as merece.
Ao silenciar progressivamente a voz crítica interna e cultivar uma perspectiva mais equilibrada, gentil e realista sobre si mesmo, você abre espaço para uma vida profissional e pessoal com mais leveza, autenticidade e satisfação. Lembre-se: você não é uma fraude. Você é alguém que está crescendo, aprendendo e merecendo cada sucesso que alcança.