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Shakshuka: ovos ao molho de tomate e especiarias em uma única frigideira

Aprenda a preparar o prato que atravessou o Mediterrâneo e descubra a história surpreendente por trás de cada colherada

12/06/2026

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A shakshuka é um clássico mediterrâneo que une praticidade e sabor: ovos cozidos sobre um molho encorpado de tomate, pimentão e especiarias, tudo em uma única frigideira. Neste artigo, você aprende o passo a passo completo, com dicas para acertar o ponto das gemas e variações para personalizar o prato. Além da receita, descobre a história surpreendente dessa preparação, que nasceu no norte da África, ganhou tomate e pimentão após as grandes navegações e se espalhou pelo Mediterrâneo até virar ícone de brunches no mundo todo. Uma refeição nutritiva, acessível e cheia de história para o seu fim de semana.

Uma frigideira, alguns ingredientes acessíveis e cerca de trinta minutos: é tudo o que separa você de um dos pratos mais queridos da cozinha mediterrânea. A shakshuka — ovos delicadamente cozidos sobre um molho encorpado de tomate, pimentão e especiarias — virou estrela de brunches no mundo inteiro, mas continua sendo, na essência, comida de casa: generosa, aromática e feita para ser dividida diretamente da panela.

Além de deliciosa, ela é um exemplo de refeição completa e equilibrada. Os ovos fornecem proteína de alto valor biológico, enquanto o molho entrega fibras, vitaminas e licopeno, o antioxidante que dá a cor vermelha ao tomate. Segundo a Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, o licopeno se torna mais biodisponível quando o tomate é cozido, especialmente na presença de uma gordura boa como o azeite de oliva — exatamente o que acontece nesta receita.

Ingredientes

Rendimento: 4 porções | Tempo total: cerca de 35 minutos

  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva extravirgem
  • 1 cebola grande picada
  • 1 pimentão vermelho cortado em tiras finas
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 colher de chá de páprica doce (ou defumada, para um toque especial)
  • 1 colher de chá de cominho em pó
  • 1 pitada de pimenta caiena (opcional)
  • 800 g de tomate pelado em lata (ou 6 tomates maduros sem pele, picados)
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 4 a 6 ovos
  • Salsinha ou coentro fresco picado para finalizar
  • Queijo feta esfarelado (opcional)
  • Pão pita ou pão rústico para acompanhar

Modo de preparo

  1. Aqueça o azeite em uma frigideira grande (de preferência com tampa) em fogo médio. Refogue a cebola e o pimentão por 8 a 10 minutos, até ficarem bem macios e levemente dourados. Esse tempo é importante: é ele que constrói a base de sabor do prato.
  2. Adicione o alho, a páprica, o cominho e a caiena. Refogue por 1 minuto, apenas até as especiarias liberarem aroma.
  3. Junte o tomate, amassando levemente com uma colher. Tempere com sal e pimenta-do-reino e cozinhe em fogo médio-baixo por 10 a 15 minutos, até o molho engrossar. Ele deve ficar encorpado, mas ainda úmido.
  4. Com as costas de uma colher, abra pequenas cavidades no molho e quebre um ovo em cada uma. Tampe a frigideira e cozinhe por 5 a 8 minutos: as claras devem firmar e as gemas permanecerem cremosas.
  5. Finalize com as ervas frescas e, se quiser, o queijo feta. Leve a frigideira direto à mesa e sirva com pão para mergulhar no molho.

Dicas para acertar no ponto

O segredo da shakshuka está em dois momentos: o refogado inicial, que não deve ser apressado, e o cozimento dos ovos, que pede atenção. Se preferir gemas mais firmes, deixe a tampa por mais 2 minutos; se gosta delas bem cremosas, desligue o fogo assim que as claras ficarem opacas — o calor residual termina o trabalho. Você também pode personalizar: berinjela em cubos, espinafre ou grão-de-bico deixam o prato ainda mais completo.

Você sabia? A viagem da shakshuka pelo Mediterrâneo

O nome vem do árabe magrebino e significa, literalmente, “mistura” — uma pista honesta sobre a origem do prato. A maioria dos historiadores da gastronomia aponta o norte da África, em especial a Tunísia e a região do Magreb, como berço da shakshuka. Curiosamente, ela nem sempre teve a cara que conhecemos: o tomate e o pimentão são ingredientes americanos, que só chegaram ao Mediterrâneo após as grandes navegações do século XVI, difundindo-se pela região por meio das rotas comerciais do Império Otomano.

No século XX, o prato cruzou o mar mais uma vez: comunidades judaicas do norte da África o levaram para Israel, onde a shakshuka se tornou um ícone do café da manhã e ganhou projeção internacional. A escritora Claudia Roden, referência em culinária judaica e do Oriente Médio, documenta essa trajetória em suas obras, e o chef Yotam Ottolenghi, com o livro “Jerusalem”, ajudou a popularizar a receita no Ocidente na última década.

E a viagem não para: a shakshuka tem “primas” espalhadas pelo Mediterrâneo, como o menemen turco (com ovos mexidos no molho), a ojja tunisiana (frequentemente com linguiça merguez) e os “ovos no purgatório” do sul da Itália. Cada cultura adaptou a mesma ideia simples — ovos cozidos em molho de tomate temperado — ao seu próprio paladar. Um lembrete saboroso de que a comida viaja, se transforma e conecta povos.

Sua vez de levar o Mediterrâneo à mesa

A shakshuka prova que cozinhar bem não exige técnica complicada nem ingredientes raros: exige apenas um pouco de tempo, bons temperos e vontade de compartilhar. Neste fim de semana, escolha uma manhã sem pressa, leve a frigideira à mesa e sirva direto da panela, como manda a tradição. Você vai perceber que, às vezes, uma refeição simples carrega séculos de história — e muito sabor — em cada garfada.

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• Harvard T.H. Chan School of Public Health – The Nutrition Source: Tomatoes (biodisponibilidade do licopeno em tomates cozidos). • Ottolenghi, Y.; Tamimi, S. Jerusalem: A Cookbook. Ten Speed Press, 2012. • Roden, C. The Book of Jewish Food: An Odyssey from Samarkand to New York. Knopf, 1996. • Marks, G. Encyclopedia of Jewish Food. Wiley, 2010 (verbete sobre shakshuka e sua origem norte-africana).