Um dos maiores estudos já feitos sobre o tema e uma meta-análise recente chegam à mesma conclusão: cada treino cumpre um papel diferente — e o corpo em emagrecimento precisa dos dois.
8/09/2026
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Poucas discussões sobrevivem tanto tempo no vestiário quanto esta: para emagrecer, vale mais suar na esteira ou levantar peso? De um lado, quem jura que só o cardio queima gordura de verdade. Do outro, quem garante que músculo é a única fornalha que importa. A ciência já colocou os dois métodos frente a frente em ensaios controlados — e a resposta é menos tribal do que os dois grupos gostariam.
O maior confronto direto veio do estudo STRRIDE AT/RT, conduzido na Universidade Duke, nos Estados Unidos, e publicado em 2012 no Journal of Applied Physiology. Pesquisadores liderados por Leslie Willis acompanharam 119 adultos sedentários, com sobrepeso ou obesidade, durante oito meses, divididos em três grupos: só treino aeróbico, só musculação, ou os dois combinados.
O resultado incomodou os dois lados do vestiário. Os grupos que fizeram aeróbico — sozinho ou combinado — perderam mais peso e mais massa gorda do que o grupo que fez apenas musculação. O grupo exclusivo de pesos, aliás, terminou o estudo mais pesado, mas não por gordura: ganhou massa magra.
Uma meta-análise publicada em 2025 no Journal of the International Society of Sports Nutrition reforçou o quadro ao reunir 31 ensaios clínicos randomizados, com 1.294 adultos. Quando as cargas de trabalho eram equivalentes, treino aeróbico e treino combinado reduziram mais gordura corporal do que a musculação isolada. Em compensação, os protocolos com pesos levaram vantagem clara na construção e preservação de massa muscular.
Se o aeróbico vence na queima direta de gordura, por que não abandonar os halteres? Porque emagrecer não é sinônimo de perder peso — é melhorar a composição corporal. Durante um déficit calórico, parte do peso perdido tende a vir do músculo, e é exatamente isso que a musculação evita. Preservar massa magra sustenta o gasto energético de repouso, protege a força para as tarefas do dia a dia e melhora a forma como o corpo lida com a glicose.
Um desdobramento do mesmo projeto da Duke, publicado no American Journal of Physiology, olhou para dentro do abdômen e encontrou outro dado relevante: o treino aeróbico foi mais eficiente para reduzir a gordura visceral e a gordura acumulada no fígado — justamente os depósitos mais associados a diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Ou seja, cada modalidade ataca uma frente diferente do mesmo problema.
Na prática, a balança conta uma história incompleta. Alguém que perde três quilos mantendo o músculo mudou mais o corpo do que alguém que perdeu cinco levando junto boa parte da massa magra. O espelho, as roupas e os exames costumam perceber a diferença antes da balança.
Os dados apontam para uma divisão de tarefas, não para uma escolha. Uma semana eficiente de emagrecimento combina duas a três sessões de musculação — cobrindo os grandes grupos musculares com cargas desafiadoras — com sessões de trabalho aeróbico que somem em torno de 150 minutos, no ritmo em que conversar fica difícil, mas não impossível. Quem tem pouco tempo pode unir os dois no mesmo dia: pesos primeiro, fôlego depois.
Para quem está começando, a ordem dos fatores ajuda: primeiras semanas dedicadas a aprender os movimentos de força com cargas leves e a criar o hábito do aeróbico em intensidade confortável. A progressão vem depois, aumentando peso, ritmo ou duração aos poucos — o corpo responde melhor à constância do que a arrancadas heroicas seguidas de abandono.
E o prato continua sendo o sócio majoritário do resultado: o déficit calórico construído na alimentação, com proteína suficiente, é o motor principal da perda de gordura. O treino define o destino do peso perdido — se ele sai da gordura ou leva músculo junto.
Abandonar os pesos quando a meta é secar
Ao começar a dieta, muita gente troca a musculação por sessões extras de esteira, acreditando que “gastar mais calorias” acelera o resultado. O efeito costuma ser o contrário: parte do peso perdido vira músculo perdido, o gasto energético de repouso cai e o corpo fica mais propenso a recuperar a gordura depois.
Mantenha duas a três sessões semanais de força durante todo o déficit calórico, com cargas desafiadoras e proteína adequada na alimentação. Use o cardio como complemento para ampliar o gasto energético — não como substituto do treino de força.
Depois de décadas de estudos, a pergunta “musculação ou cardio” ganhou uma resposta pouco dramática: os dois, cada um no seu posto. O aeróbico acelera a saída da gordura; a musculação garante que o que fica é músculo. Monte sua semana com essa sociedade em mente e deixe a rivalidade para as conversas de vestiário