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Pudim de amendoim sem leite condensado

Cremoso, dourado e com aquele sabor de fazenda — mas mais leve. Aqui a pasta de amendoim integral faz o papel do leite condensado, trazendo proteína e sabor de verdade no lugar do excesso de açúcar.

11/09/2026

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Esta receita reinventa o clássico pudim brasileiro dispensando o leite condensado. Com base de leite, ovos, amido e pasta de amendoim integral, a sobremesa entrega textura sedosa, sabor marcante e menos açúcar, além de incluir variações com tâmaras ou versão vegana com ágar-ágar. Mais do que um doce afetivo, o prato homenageia a rica trajetória do amendoim: uma leguminosa domesticada há mais de 7 mil anos na região andina que se espalhou pelo mundo e virou símbolo cultural no Brasil. Nutritivo e versátil, o amendoim une história, valor nutricional e tradição gastronômica.

O pudim é a sobremesa afetiva do brasileiro. Nesta versão, dispensamos a lata de leite condensado e apostamos numa base de leite, ovos e pasta de amendoim 100% integral, com um toque de amido para garantir a textura sedosa. O resultado é um pudim firme, com sabor marcante de amendoim tostado e menos açúcar do que a receita tradicional.

Ficha da Receita

·   Rendimento: 8 porções  
·   Preparo: 25 min  
·   Forno: 60–70 min  
·   Geladeira: mín. 4 h Dificuldade: intermediária  
·   Melhor de um dia para o outro

Ingredientes

Para a calda

  • 1 xícara (200 g) de açúcar demerara ou cristal
  • ⅓ de xícara (80 ml) de água

Para o pudim

  • 500 ml de leite integral (ou bebida vegetal, para versão sem lactose)
  • 4 ovos
  • ¾ de xícara (180 g) de pasta de amendoim integral, sem açúcar
  • ⅓ a ½ xícara (70–100 g) de açúcar demerara, ajuste a gosto
  • 1 colher (sopa) de amido de milho
  • 1 colher (chá) de essência de baunilha
  • 1 pitada de sal

Modo de preparo

  1. Calda: em uma panela, leve o açúcar e a água ao fogo médio, sem mexer, até formar um caramelo dourado. Despeje em uma forma de furo central (19–20 cm) e gire para cobrir o fundo e as laterais. Reserve.
  2. Pré-aqueça o forno a 180 °C e ferva água para o banho-maria.
  3. No liquidificador, bata o leite, os ovos, a pasta de amendoim, o açúcar, o amido, a baunilha e o sal por cerca de 2 minutos, até obter uma mistura homogênea.
  4. Passe a mistura por uma peneira (opcional, deixa o pudim mais liso) e despeje na forma caramelizada.
  5. Cubra a forma com papel-alumínio, coloque-a dentro de uma assadeira maior e adicione água quente até a metade da altura da forma (banho-maria).
  6. Asse por 60 a 70 minutos, até firmar nas bordas e balançar levemente no centro. Um palito espetado deve sair limpo.
  7. Deixe esfriar, cubra e leve à geladeira por, no mínimo, 4 horas — de preferência de um dia para o outro.
  8. Para desenformar, passe uma faca fina pelas bordas, apoie um prato sobre a forma e vire com firmeza. Finalize com amendoim torrado e picado por cima.

Toque de Leveza

A pasta de amendoim integral (100% amendoim) substitui parte da gordura e do açúcar do leite condensado e ainda acrescenta proteína e fibras. Quer reduzir mais o açúcar? Troque metade do adoçante por 4 a 5 tâmaras sem caroço, batidas junto com o leite.

Variação vegana e sem lactose

Para uma versão sem ovos e sem leite, troque o leite por bebida vegetal (aveia ou o próprio leite de amendoim) e substitua os ovos por ágar-ágar, que dá a firmeza:

  • Dissolva 1 colher (chá) rasa de ágar-ágar em 500 ml de bebida vegetal.
  • Leve ao fogo, ferva por 2 minutos e bata com a pasta de amendoim, o adoçante e a baunilha.
  • Despeje na forma já caramelizada e leve direto à geladeira, sem forno.

A textura fica mais próxima de um flã, com corte firme e brilhante.

O amendoim: de semente andina a ingrediente global

Apesar do nome e do jeitão, o amendoim (Arachis hypogaea) não é uma noz: é uma leguminosa, prima do feijão e da ervilha. Sua peculiaridade é crescer para baixo — depois de florir, a haste mergulha no solo e o fruto amadurece enterrado. Não à toa, os povos tupis o batizaram de mandu’wi, algo como “o enterrado”.

Evidências arqueológicas indicam que o amendoim é cultivado na América do Sul há cerca de 7.600 anos. Povos das regiões que hoje correspondem à Bolívia e ao Peru já o cultivavam e consumiam, e sementes foram encontradas até em túmulos incas, deixadas como alimento para a jornada ao além.

O berço da domesticação fica a leste dos Andes, na região do Gran Chaco — entre Bolívia, Paraguai e norte da Argentina. Pesquisas genéticas conduzidas por consórcios internacionais, com participação da Embrapa, mostraram que o amendoim cultivado nasceu do cruzamento natural de duas espécies silvestres, provavelmente com a ajuda de uma abelha nativa. É dessa faixa andina e subandina que vem a “semente andina” do nosso título.

A volta ao mundo

A partir do século 16, navegadores espanhóis e portugueses levaram o amendoim para a África e a Ásia. Na África, ele se adaptou tão bem que virou parte da paisagem agrícola e da cozinha local — e foi de lá que, pelas rotas do tráfico transatlântico de escravizados, chegou à América do Norte, carregado também pelo conhecimento de cultivo dos povos africanos.

Nos Estados Unidos, ganhou escala no fim do século 19 e início do 20. O cientista agrônomo George Washington Carver o promoveu como alternativa ao algodão e chegou a listar mais de 300 usos para a leguminosa. Hoje, os maiores produtores mundiais são China, Índia e Estados Unidos.

Pequeno, mas poderoso

Do ponto de vista nutricional, o amendoim é uma usina de energia. É rico em proteínas de origem vegetal, gorduras insaturadas (as “boas”), fibras e micronutrientes como vitamina E, niacina e magnésio. Consumido com moderação e sem excesso de sal ou açúcar, é um ótimo aliado de uma alimentação equilibrada.

Atenção: O amendoim está entre os alergênicos mais comuns. Em receitas para servir a outras pessoas, avise sempre que o prato contém amendoim.

O amendoim é nosso também

No Brasil, o amendoim é pura memória afetiva. Ele é a alma das festas juninas — paçoca, pé de moleque, curau e o clássico amendoim torrado no cone de jornal. Em campo, o estado de São Paulo concentra a maior parte da produção nacional, especialmente na região da Alta Paulista. Da rua ao forno, ele segue provando que sabor e história andam juntos.

Você sabia?

A flor do amendoim é polinizada acima do solo, mas depois a haste (o ginóforo) se curva e cresce para baixo, enterrando a vagem para que amadureça sob a terra. Por isso o nome científico hypogaea — do grego, “sob a terra”.

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