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Como praticar o desapego emocional e ter uma vida mais leve

Entenda a diferença entre desapego saudável e indiferença e aprenda a cultivar relações mais equilibradas e conscientes para o seu bem-estar.

13/11/2025

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O desapego emocional saudável é uma prática de autocuidado que promove o equilíbrio mental, e não deve ser confundido com indiferença. Consiste em gerenciar o envolvimento emocional com pessoas e situações, permitindo viver com mais leveza. Enquanto o apego excessivo gera sofrimento e ansiedade, o desapego consciente, apoiado por práticas como mindfulness, o estabelecimento de limites e o autocuidado, liberta do medo da perda e da necessidade de controle. Aprender a "deixar ir" é um ato de maturidade psíquica e amor-próprio, essencial para construir relacionamentos mais equilibrados e uma vida mais plena e autêntica.

A ideia de “desapego” muitas vezes é interpretada de forma equivocada, soando como frieza ou indiferença. No entanto, o desapego emocional saudável é, na verdade, uma ferramenta poderosa para o autocuidado e o equilíbrio mental. Longe de significar ausência de afeto, essa prática consiste em gerenciar o envolvimento emocional com pessoas, situações e até mesmo ideias, permitindo uma vida com mais leveza e menos sofrimento.

Praticar o desapego não é tornar-se uma pessoa apática, mas sim consciente. É a habilidade de amar, sentir e se conectar sem se tornar prisioneiro de expectativas, medos ou da necessidade de controle. Como define a psicóloga Silvia Rocha em seu artigo “Desapego Emocional: a arte de deixar ir com consciência”, trata-se de uma expressão de maturidade psíquica, onde se reconhece que tudo na vida tem um ciclo, e que respeitar os encerramentos é tão vital quanto celebrar os começos.

A diferença entre desapego saudável e apego tóxico

O apego desmedido pode se transformar em uma prisão. Ele se manifesta na insistência em manter o que já não serve mais, seja um relacionamento que perdeu o sentido, um emprego que gera infelicidade ou uma ideia que nos limita. Esse padrão, muitas vezes, está na raiz de quadros de ansiedade, estresse e estagnação, pois nos prende ao medo da perda e a uma ilusão de controle sobre o incontrolável.

De acordo com a psicóloga Marcela Garcia Manochio, em artigo para o portal Psicólogos Berrini, a pessoa desapegada não concentra todas as suas expectativas em um único ponto. Ela se conecta emocionalmente, mas com a consciência de não deixar que suas emoções transbordem a ponto de se tornarem nocivas para seu bem-estar. Isso não significa que ela não sinta a dor da perda, mas que ela compreende que sua identidade e seu valor não são definidos por aquilo que se foi.

Por outro lado, o desapego não saudável, ou tóxico, se manifesta como uma fuga das emoções. Conforme aponta um artigo da plataforma de desenvolvimento pessoal BetterUp, esse tipo de desapego leva ao isolamento social e à dificuldade em expressar empatia, prejudicando a capacidade de formar conexões humanas significativas. É um mecanismo de defesa que, embora possa proteger da dor a curto prazo, impede o crescimento pessoal e a vivência de relacionamentos plenos.

Como cultivar o desapego emocional no dia a dia

Desenvolver o desapego saudável é um exercício contínuo de autoconhecimento e amor-próprio. Não se trata de uma mudança que ocorre da noite para o dia, mas de uma jornada que envolve práticas conscientes. Abaixo, algumas estratégias que podem auxiliar nesse processo:

Pratique a atenção plena (mindfulness). A meditação mindfulness nos ensina a observar nossos pensamentos e emoções sem julgamento e sem nos apegarmos a eles. Ao cultivar a presença no aqui e agora, desenvolvemos a capacidade de aceitar as experiências como elas são, sem a necessidade de rotulá-las como “boas” ou “ruins”. Essa prática nos ajuda a criar um espaço entre o estímulo e a nossa reação, permitindo uma resposta mais consciente e menos impulsiva.

Estabeleça limites saudáveis. Aprender a dizer “não” e a comunicar suas necessidades de forma clara e respeitosa é fundamental. Limites saudáveis protegem nosso espaço emocional e evitam que nos sobrecarreguemos com as demandas e expectativas alheias. Um estudo publicado pelo National Center for Biotechnology Information (NCBI) aponta que estabelecer limites em relacionamentos é uma forma de desapego saudável que ajuda a reduzir efeitos negativos na saúde mental, como a depressão.

Ressignifique suas perdas. Toda perda, seja de um relacionamento, um emprego ou um sonho, traz consigo um período de luto. Permitir-se sentir a tristeza e a dor é parte essencial do processo de cura. A escrita terapêutica, por exemplo, pode ser uma ferramenta valiosa para organizar os sentimentos e transformar a dor em aprendizado, ressignificando a experiência e abrindo espaço para o novo.

Foque no seu autocuidado. Dedique tempo a atividades que nutrem seu corpo, mente e espírito. O autocuidado fortalece a autoestima e a autoconfiança, diminuindo a dependência da validação externa. Quando nos sentimos completos por nós mesmos, a necessidade de nos apegarmos a fontes externas de felicidade diminui.

Aceite a impermanência. A vida é um fluxo constante de mudanças. Tentar controlar tudo e todos ao nosso redor é uma fonte inesgotável de frustração. O filósofo indiano Jiddu Krishnamurti afirmava que “o apego é a raiz do sofrimento”, pois nos prende à ilusão de controle. Aceitar a impermanência das coisas nos liberta para viver cada momento em sua plenitude, sem o peso do passado ou a ansiedade pelo futuro.

Um caminho para a liberdade interior

O desapego emocional saudável não é sobre deixar de sentir, mas sobre sentir de uma forma mais inteligente e equilibrada. É a capacidade de mergulhar nas experiências da vida sem se afogar nelas. Ao soltar o que já não nos serve, abrimos espaço para o que realmente importa, permitindo que a vida se renove e nos surpreenda.

Como nos lembra a citação de Hazrat Inayat Khan, “a arte de viver consiste em saber deixar ir”. Que possamos, então, nos tornar mestres nessa arte, cultivando uma existência mais leve, consciente e verdadeiramente livre.

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• Rocha, Silvia. "Desapego Emocional: a arte de deixar ir com consciência". Espaço Vida Integral. Acessado em 09 de novembro de 2025. • Manochio, Marcela Garcia. "Como praticar o desapego e recuperar a liberdade". Psicólogos Berrini. Publicado em 09 de janeiro de 2021. • Perry, Elizabeth. "Emotional detachment: when it's healthy and when it's toxic". BetterUp. Publicado em 02 de agosto de 2024. • Wu, Q., Qi, T., Wei, J., & Shaw, A. (2023). "Relationship between psychological detachment from work and depressive symptoms: indirect role of emotional exhaustion and moderating role of self-compassion". BMC psychology, 11(1), 334. National Center for Biotechnology Information (NCBI).