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Rituais de encerramento: como desligar do trabalho e proteger seu tempo pessoal

Crie transições intencionais que marcam o fim do expediente e o início do seu descanso

27/01/2026

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A dificuldade em "desligar" do trabalho, especialmente em home office, pode levar à exaustão e prejudicar o tempo pessoal. Este artigo explora a importância dos rituais de encerramento como uma ferramenta para criar uma transição saudável entre o expediente e o descanso. Baseado no conceito de desapego psicológico, o texto apresenta sugestões práticas para sinalizar ao cérebro o fim do dia de trabalho, como revisar tarefas, organizar a mesa, trocar de roupa e adotar barreiras digitais. A criação de rituais consistentes ajuda a reduzir a ruminação e a proteger o bem-estar mental.

O som do último e-mail sendo enviado, a aba do projeto finalmente fechada. Para muitos, especialmente na era do trabalho remoto, o fim do expediente não traz o alívio esperado. Pelo contrário, a mente continua a processar tarefas, repassar conversas e planejar o dia seguinte, roubando a tranquilidade do tempo que deveria ser dedicado a você. Se essa sensação é familiar, saiba que você não está só. A dificuldade em “desligar” é um dos grandes desafios do equilíbrio moderno entre vida profissional e pessoal.

A linha que separa o escritório – seja ele físico ou virtual – do lar tornou-se cada vez mais tênue. Sem os marcos tradicionais, como o trajeto de volta para casa, o cérebro pode permanecer em um estado de alerta constante, dificultando a transição para o modo de descanso. É aqui que entram os rituais de encerramento: pequenas ações intencionais que funcionam como uma ponte saudável entre o trabalho e a vida pessoal.

A ciência por trás da desconexão

Desligar do trabalho não é um luxo, mas uma necessidade neurológica para a recuperação e o bem-estar. O conceito de “desapego psicológico” (psychological detachment) é amplamente estudado e refere-se à capacidade de se abster mentalmente das questões relacionadas ao trabalho durante o tempo livre. Pesquisas, como as publicadas no Journal of Occupational and Organizational Psychology, demonstram que profissionais que conseguem se desconectar efetivamente apresentam menores níveis de exaustão, maior satisfação com a vida e mais engajamento ao retornarem às suas atividades.

Criar um ritual de encerramento sinaliza ao seu cérebro que a jornada de trabalho terminou. Essa prática ajuda a reduzir a ruminação – aquele ciclo de pensamentos repetitivos sobre o trabalho – e protege seu tempo pessoal, permitindo que você esteja verdadeiramente presente em seus momentos de lazer, com a família ou em atividades de autocuidado.

Rituais práticos para criar sua transição

A beleza de um ritual está em sua simplicidade e consistência. Não é preciso nada complexo; o importante é que a ação seja significativa para você e repetida diariamente. Experimente incorporar algumas das sugestões abaixo para construir a sua própria rotina de encerramento.

1. Revise o dia e planeje o amanhã (5 minutos)

Antes de fechar tudo, dedique cinco minutos para uma revisão rápida. Anote o que foi concluído e, mais importante, liste as três principais prioridades para o dia seguinte. Essa técnica, além de organizar, transfere as pendências do seu cérebro para o papel (ou para um aplicativo), liberando espaço mental.

2. Organize seu espaço físico

Seja em um escritório em casa ou na empresa, arrumar sua mesa de trabalho tem um poder simbólico. Guarde papéis, alinhe o teclado e limpe a superfície. Esse ato físico de organização externa reflete um desejo de organização interna, marcando um fechamento claro.

3. Crie uma transição sensorial

Envolva seus sentidos para marcar a mudança. Trocar de roupa é um dos rituais mais eficazes, pois sinaliza ao corpo que o “uniforme” de trabalho foi deixado para trás. Outras opções incluem fazer uma breve caminhada de cinco minutos ao redor do quarteirão, ouvir uma música específica que você associe ao relaxamento ou preparar uma xícara de chá com calma.

4. Pratique a gratidão do dia

Em vez de focar nos problemas que ficaram por resolver, direcione sua atenção para um pequeno sucesso ou aprendizado do dia. Anotar uma coisa pela qual você é grato(a) no âmbito profissional pode ajudar a encerrar o expediente com uma perspectiva mais positiva e construtiva.

5. Adote rituais digitais

No mundo conectado, a transição também precisa ser digital. Crie o hábito de fechar todas as abas e programas relacionados ao trabalho. Ative o modo “Não Perturbe” em suas notificações profissionais e, se possível, deslogue do seu e-mail ou de aplicativos de comunicação da empresa no celular. Essa barreira digital é fundamental para evitar que uma simples notificação o puxe de volta para o modo de trabalho.

A consistência é a chave para a leveza

Como qualquer novo hábito, a eficácia dos rituais de encerramento depende da consistência. No início, pode parecer apenas mais uma tarefa na sua lista, mas com o tempo, essa prática se tornará um momento de autocuidado que você valoriza.

Comece escolhendo um ou dois rituais que ressoem com você e pratique-os todos os dias durante uma semana. Observe como você se sente ao final do dia e no início da manhã seguinte. Ao criar essa fronteira intencional, você não apenas melhora sua produtividade e foco no dia seguinte, mas, acima de tudo, protege seu bem mais precioso: seu tempo e sua paz de espírito.

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• Smit, B. W. (2016). Successfully leaving work at work: The self‐regulatory underpinnings of psychological detachment. Journal of Occupational and Organizational Psychology. • Sonnentag, S. (2012). Psychological detachment from work during leisure time: The benefits of mentally disengaging from work. Current Directions in Psychological Science.